Sim, é com esse título que começo esse post. Sabe, as vezes
se preocupamos demais com as pessoas, tentamos ajuda-las, guia-las, e o que
recebemos em troca? Porrada atrás de porrada.
Às vezes me sinto como filho único. O único que tem que
tomar iniciativa, o único que precisa mostrar trabalho, o único que precisa
estar na linha, se preocupar com tudo e com todos...
E foi assim que ontem tive uma pequena discussão com o meu
irmão mais novo, na verdade não foi bem uma discussão, eu só queria que ele
ajudasse em algumas coisas simples em casa, tipo: lavar a louça.
Pra não dizer que sou injusto, o meu irmão tem alguns
problemas psicológicos, ele é sensível, depressivo, anti-social e esquece
facilmente as coisas.
Então sempre que podia eu o aconselhava, procurava
motivá-lo, mostrar que o mundo é cheio de oportunidades, que basta uma pequena
mudança de atitude, pensamento etc... Sempre busquei isso.
Certo, então tivemos uma pequena discussão, logo após a
minha mãe chegou, não sei sobre o que conversaram(eu estava no quarto no
notbook atualizando um dos meus projetos), só sei que ele entrou no quarto,
colocou algumas coisas na mochila e saiu de casa. Eu não liguei, pra mim só ia
fazer alguma coisa e nada mais.
Mas o que a criatura fez? Simplesmente, saiu de casa sem
dizer pra onde ir... Minha mãe desesperada entra chorando no quarto me culpando
por isso, a minha irmã colocando lenha na fogueira, dizendo que eu discuti com
ele, que eu o agredi(na verdade ele bateu o pé na porta por acidente), então
ela disse pra eu ir atrás dele, pra me virar e trazer ele de volta pra casa...
Eu lógico tentei me defender, mas como era de se esperar, em mandou calar a
boca... Então eu feito um cachorro que acaba de apanhar, baixei as orelhas com
cara de Ok, vesti uma camisa e sai andando em direção a avenida em pleno
meio-dia, com fome, sem um tostei no bolso e muito puto... Andei até o fim de
av. nepal, rodei cada quadra e nada, peguei uma outra principal que sai em
frente ao DB, rodei metade daquilo( a essa altura eu já estava fodido, suado,
desidratado, porque o amazonas é quase um saara, só que com árvores, dei uma
volta pela margarita, voltei pela nepal e cheguei novamente em casa.
Lá a minha ainda chorando, o meu pai sentado na sala,
perguntei se tinha notícias dele, disseram que não, peguei uma toalha tomei um
banho, me arrumei, perguntaram pra onde eu ia, disse que eu ia dar o meu jeito
de acha-lo, já que eu era o culpado de tudo. Meu diz que ninguém era culpado de
nada e perguntou que tinha dito isso, eu disse ser minha mãe, ela permanece
calada. Então eu pedi uma foto dele pra minha mãe, 5 reais do meu pai(ele me dá
20), e saio de casa: Primeira parada, 15º DIP, enfrentei uma fila fodida,
cheguei lá, a moça me diz que tenho que aguardar até não sei quantas horas pra
registrar o desaparecimento, mas que eu podia ir na delegacia geral e registrar
lá, porque de lá dariam um jeito de informar a mídia etc... Ok, não sei o que
fazer... (não sabia)
Resolvo ir até o T3 carregar a carteirinha, tranquilo, minha
mãe me liga perguntando onde estou, digo: “Não interessa, estou por aí e só
volto quando encontrar ele”.. Ele fala mais alguma coisa, sugere deu procurar
na casa de uma antiga amiga que o meu irmão gostava muito, a dona elaide... Eu
desligo dizendo: “ Vou dar o meu jeito”, então fico um tempo parado pensando e
resolvo ir lá na casa dessa senhora...
Chegando lá, bato palma, um garotinho, o Gabriel(conheci
quando o mesmo tinha uns 4 anos, agora creio que esteja com 11), pergunto como
ele está, ele responde que está bem e que está com, adivinhem quem? O meu
irmão. Então peço pra ele chamar ele, ele volta, diz que meu irmão não quer
falar comigo...Peço pra ele voltar lá, dizer que é rápido, que não vou demorar,
que se ele preferir, pode ficar...
Então, ele vem... E é nesse momento que começa o embate de
argumento, uso todo o meu conhecimento de PNL, apelo pro emocional e chegamos a
um acordo.
Ele voltaria, mas eu nunca mais poderia incomodá-lo daquele
dia em diante e segundo, deixar ele esperar a D. Elaide e dar um oi pra ela,
terceiro, pedir desculpas... Fiz isso, tudo certo, esperei ele, conversamos com
a D. Elaide, e voltamos lá pelas 18h50, no caminho eu digo que não vejo a hora
de chegar em casa e desmaiar(Eu estava cansado e com fome pra caralho), então
ele sugere comermos algo, eu faço que sim e olha: meu irmão paga dois X-saladas
e um refrigerante. Terminamos, fomos pra parada, pegamos o primeiro ônibus e
casa.
Chegando em casa não quis falar com ninguém, minha mãe
perguntou como estávamos eu disse: “Ele está lá fora” e fui direto pra cama
tirar um cochilo, na verdade não consegui, chorei um pouco(sim galera, esse ser
que vos fala também chora), chorei de raiva, disse que naquela noite iria ficar
só pensando nas coisas, mas no dia seguinte estaria tudo bem... E foi assim,
minha mãe me acordou alguns minutos depois pra eu jantar, fui lá, depois tomei
um açaí, fiquei um tempo na TV, depois fui ver meu facebook, a mamãe tentando
puxar conversa, eu cortando, me despeço dela e digo que vou dormir, por fim quando
já estava de olhos fechados minha mãe chega perto de mim e pede desculpas, eu
respondo que está tudo bem e que isso nunca mais vai acontecer... E não vai
mesmo, irei cumprir o acordo, meu irmão vai viver a vida dele, vai fazer o que
quiser, quer ser um vagabundo? Vai ser, quer ficar o dia todo dormindo, ok,
tranquilo, não irei enchê-lo mais com os meus sermões de que a vida é bela,
isso aquilo... Enfim, minha vida e o concurso da SUSAM são as prioridades do
momento.
